sexta-feira, 11 de abril de 2008

No Outono



A distância faz do amor um absurdo velado
Para te ver mantenho os olhos fechados
E ao erguer a mão de dedos sedentos, a sentença:
Toco o espaço vazio da sua antiga presença.

Retiro o véu tênue que cobre esparsas lembranças
Para refazer o teu rosto num assomo de esperança
E trago nestas mãos um coração que se desfaz
Como flores desfiadas pelo vento que o outono traz

Por tua saliva minha pele ainda reclama
Minha boca por teu beijo implora insana
E o silêncio ressoa as palavras que disseste

Vejo-te sorrir ao dizer que me ama
E nos olhos há uma lagrima que derrama
Pela lembrança de tudo que me deste.
((c)Alyne Santos)

sábado, 15 de março de 2008

Encantamento




Nego o ditado!O amor não me cegou
Ele me deu novos olhos para te ver
E a indecisão do passo incerto cessou
No toque trêmulo e ofegante do querer

E ninguém te conhece melhor que eu
Que desenhei com meus dedos as formas que eram tuas
E na confusão dos corpos ninguém se perdeu
Pois éramos iguais, consagradas imagens nuas

Não se assuste ao me ver tocar seus segredos
Recebe-me do teu lado como me prometeu
E sorria, pois no amor não cabe o medo

Em ti encontro o descanso calmo e sonolento
E nunca afastarei meu rosto do teu
Nem perderei meus olhos de encantamento

((c) Alyne Santos)

sexta-feira, 7 de março de 2008


E então conheci as flores


A tua ausência é um leve amargor
Como se tua presença não mais fosse necessária
E eu desfiasse as pétalas do antigo amor
Mas nas mãos restasse o perfume que usara

Agora, sem ti, conheço melhor as flores
Caminhando neste jardim que não plantardes
Pois meus olhos libertos vêem outras cores
Que com o toque divino não foste tu que pintardes

Tu vives no nome desenhado na areia
E na pequena flor murcha no livro
Artimanhas que o amor entremeia

Logo serás apenas uma saudade
Das que provocam um leve sorriso
E então saberei se foi amor de verdade
(Alyne Santos(c))

sábado, 26 de janeiro de 2008


Pétala

Sempre haverá um lindo lugar
Cuja brisa leve nos embale
E que mesmo a natureza pare
Embevecida de ver o amor passar

Sempre haverá uma forma de homenagear
Essa coisa onipotente que se sente
E te dizer o que preciso docemente
Mesmo sem te ver passar

Desfio pétalas de um rosa cálido
Para banhar de perfume o teu rosto
E sentir a boca trêmula do gosto
E as mãos a desviar pelo corpo pálido

O desejo tão lascivo a devorar
De irrigar minha pele da tua saliva
Sagrada. O remédio que me dá vida
Me impelindo sempre a te buscar

E estes sonhos?O amor a tocar seu hino
A imaginação os faz infinitos
Têm morada os pensamentos mais bonitos
E nas mãos dadas o desenho do destino


(©Alyne Santos)

terça-feira, 15 de janeiro de 2008


Frieza

Quisera uma outra voz a ditar novos amores!
Os antigos morreram, acompanho o sepultamento
Romeu e Julieta são comédias no meu torpor
Nada consegue acalentar meus pensamentos

Quisera uma outra mão a embalar docemente
O berço inerte da esperança perdida
O erro foi nosso, mudamos secretamente
A figura dantes amada agora desconhecida

Sua voz destoa a música tão ouvida
Suas mãos frias em minha pele ressentida
Fujo! Fiquei cego, não posso te ver

O raiar do dia me desperta. Sonhei!
Esquecer não é difícil como pensei
Não me fere mais a dor de não te ter


(©Alyne Santos)

domingo, 13 de janeiro de 2008

E pra começar...


A Falta


A distância, mãe da saudade
Afastou seus olhos dos meus, sem piedade
Descolou seus lábios da minha pele que grita
Separou o contato delicado das mãos aflitas

Agora meus olhos vagueiam perdidos
Meus lábios se crispam ressequidos
Meu corpo tem a febre do desejo sentido
Minhas mãos ficam soltas no vazio sofrido

Longe desse sonho que se faz permanente
Vivo a solidão de não poder sentir plenamente
E no desejo que me invade denso, sorris
Sem te ver eu te invento e sou feliz

Te vejo, quebrando a distancia absurda
Com mãos brancas, lânguidas, agudas
Molha minha boca do néctar vital
Pousa em mim teu prazer delicado e fatal

Vem! Faz poesia desse momento
Inunda minha vida de encantamento
Mostra a realidade do instante esperado
Seus pés nus tocando o universo sonhado


(©Alyne Santos )